Por que não abarrotar o treinamento de conteúdos

Por Paulo R. Käfer e Jaqueline C. Mikulski

Se você já conduziu um treinamento, com certeza já deve ter sentido na pele a sensação de não dar conta do conteúdo no tempo disponível.

E certamente, após passar pela experiência, caso tenha refletido sobre isso, chegou à conclusão de que realmente colocou conteúdo demais em tempo de menos.

É provável que todo Instrutor passe por isso, principalmente quando está adentrando no mundo dos treinamentos empresariais.

Mas por que isso ocorre?

Por vaidade, já que pode existir a noção de que mostrar conhecimento é uma forma de obter o reconhecimento das pessoas.

Mas temos que lembrar que um Trainer não conduz um treinamento para impressionar, mas para promover transformação.

Um Facilitador não deve ter a preocupação de parecer intelectual. Seu foco precisa estar na aprendizagem do grupo. Isso faz uma tremenda diferença na obtenção de resultados pós-treinamento.

Por facilidade, afinal é muito mais cômodo construir treinamentos repletos de conteúdos.

Pela crença equivocada, de que o repasse de muito conteúdo leva ao entendimento e a aplicação prática.

Muitas vezes, as pessoas não estão interessadas no que está sendo dito. Isso ocorre por muitas razões. Uma delas, é justamente a sobrecarga de informações que está entediando ou confundindo o participante.

Não é porque é comum vermos muitas pessoas “despejando” excesso de informações e cansando a plateia que devemos replicar esse modus operandi.

É um erro pensar: se todo mundo está fazendo desse jeito, deve ser o certo a fazer.

Mas por que não devemos encher os treinamentos de informações?

Porque transmitir informações não é treinamento. Simples assim.

Além do mais, as pessoas têm limite para absorver informações. Você consegue, por exemplo, assistir um vídeo com uma pessoa falando por mais de duas horas e manter a sua atenção intacta? Apostamos que não!

Atualmente, é muito provável que estejamos recebendo mais informações durante um dia inteiro do que nossos ancestrais recebiam durante a vida toda.

A questão-chave é: absorver conteúdos não gera aprendizagem! Gera apenas uma mente cheia. A compreensão intelectual de algo não necessariamente transforma-se em aprendizado e nem é garantia de que haja mudança.

O conteúdo pode ser muito importante, mas sem reflexões e sem atividades práticas, nada vai para frente. Afinal de contas, é possível aprender sem vivenciar e refletir?

Mas compreender que abarrotar os cursos de informações é contraproducente, não é suficiente.

É preciso uma transformação no modo de pensar e agir, saindo da postura de transmissor de informações para catalisador de aprendizagem. É necessária uma mudança interior, uma ampliação de mentalidade e uma reflexão profunda sobre como aprendemos de verdade.

Da próxima vez que for construir um treinamento, talvez você possa dedicar menos tempo a inserir dados, informações e conteúdos e mais tempo em pensar em como você pode ajudar as pessoas a terem melhor desempenho. Isso pode ser a diferença que fará a diferença na vida das pessoas.

Pense nisso: reduzir a quantidade de informações pode ser a chave para você criar mais leveza e gerar mais aprendizado profundo. E com isso, catalisar a mudança desejada.

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Grande abraço, sucesso e até o próximo texto!

Paulo R. Käfer e Jaqueline C. Mikulski, Instrutores e idealizadores do curso FACILITADOR COACH © com dezenas de turmas realizadas pelo Brasil.


Todos os textos do blog possuem direitos autorais. Cópia proibida.

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