Contribuição: a trilha para a realização pessoal

Por Paulo R. Käfer

Uma pessoa muito querida certa vez me falou com entusiasmo sobre seu projeto. Seus olhos brilhavam. Sua fala, absolutamente autêntica.

A possibilidade de realização das suas ideias a tornava genuinamente feliz. Sua vontade de ajudar pessoas incondicionalmente era inspiradora.

Mais tarde fiquei pensando nas suas palavras e principalmente na maneira que ela as expressava. Na minha percepção, ela não estava preocupada com algum reconhecimento futuro ou notoriedade.

Seu foco parecia ser muito mais grandioso: fazer algo positivo para os outros e para o mundo. Sua aspiração era movida por um impulso altruísta: contribuir. Pura e simplesmente!

Mais do que reconhecimento.

Queremos ir bem na vida, realizar um bom trabalho e se não for pedir muito, ser feliz em boa parte do tempo. Quem não quer?

No entanto, acredito que precisamos considerar um ponto crucial. Em nossa cultura, onde individualismo, autocentramento e competitividade se fazem presentes, é fácil cair na tentação de buscar a notoriedade e parecer importante aos olhos dos outros.

Esse foco no reconhecimento apenas pelo desejo de ser apreciado e admirado pode não trazer algo que de fato, faz uma grande diferença em nossas vidas: a realização pessoal.

E a realização pessoal não chega para quem está pensando apenas nos holofotes. Ela emerge quando nossos dons, talentos e habilidades estão indo de encontro às necessidades do mundo. Independentemente do tipo de profissão ou carreira que escolhemos.

Aliás, nosso trabalho é fonte inesgotável de realização e uma pessoa pode encará-lo como algo desprovido de sentido ou como uma grande oportunidade para contribuir com aquilo que ela faz bem.

Quem escolhe a segunda opção não apenas exerce uma função. Coloca um sorriso no rosto das pessoas. Melhora o dia de alguém. Surpreende positivamente. Encanta.

Uma luz para as pessoas.

Vejamos um exemplo. Imagine que alguém foi convidado para dar uma palestra, ok? Ela terá uma hora para discorrer sobre um tema relevante da sua área.

Se ela falar muito de si mesma, dos seus feitos e de como ela é importante, a plateia não vai aproveitar muita coisa do conteúdo, certo? Nesse caso, o foco é na autopromoção. Talvez ela perderá uma gigante oportunidade de fazer a diferença na vida das pessoas. E ainda: não conseguirá se conectar com o público.

Ao contrário, vamos imaginar que ela adote outra abordagem: o foco na contribuição. Ela prepara a apresentação com muita dedicação e zelo. Durante o planejamento, leva em consideração o perfil da sua audiência e pensa na melhor maneira de transmitir a mensagem para que as pessoas não só escutem, mas saiam da palestra, inspiradas e engajadas em uma determinada ação positiva.

Ela provavelmente se expressará com autenticidade total, falará com convicção e permitirá que sua voz venha daquilo que ela acredita, porque em seu coração ela sabe que seu propósito é nobre e sua intenção em contribuir é absolutamente pura, genuína. Assim suas palavras serão carregadas de verdade e ela possivelmente conseguirá se conectar com a plateia.

Aliás, se esse indivíduo apresentar sua mensagem levando em conta esses aspectos, ele será mais do que um palestrante. Ele será uma presença, uma inspiração. Uma luz para as pessoas.

No “jogo da contribuição”, todos ganham.

Assim, se colocarmos foco na contribuição, o reconhecimento chega de alguma forma, mais cedo ou mais tarde, como consequência. E ainda que chegar de maneira pouco efusiva, não tem tanta importância assim. O que importa verdadeiramente na prática é o impacto positivo que causamos no Universo.

Ao contrário, se uma pessoa colocar ênfase apenas no reconhecimento, ainda que as pessoas a admirem, seu empenho não trará o maior prêmio de todos: a alegria no coração e a paz na consciência que só a contribuição genuína pode trazer.

E contribuição não é sobre brilhar como uma estrela. É sobre iluminar o caminho alheio. Contribuição não é sobre o mundinho pequeno e restrito do autocentramento. É sobre a maravilhosa e sublime generosidade que brota do coração.

Se olharmos com profundidade para essa questão, constataremos que o foco na contribuição pode impulsionar a realização pessoal. Não tem erro: boas ações invariavelmente trazem bons resultados tangíveis e intangíveis.

Então um bom desafio é ser uma fonte de energia benéfica aos outros. Aliás, que melhor forma de exercer nossa condição humana, do que servindo, sendo generoso e contribuindo? Que alegria pode ser maior do que transformar a realidade das pessoas para melhor?

Já pensar somente em si mesmo pode trazer muita aflição. Ao contrário, você já viu a expressão de felicidade estampada no rosto de quem colabora no campo social, através de um trabalho voluntário, por exemplo?

E no jogo da contribuição genuína e altruísta, não existe competição. Todos ganham. Ganha quem recebe. Ganha mais ainda quem compartilha.

Pois é querida leitora e querido leitor: existem pessoas que causam um impacto positivo e profundo na alma da gente. Mas por que isso acontece? O que elas disseram ou fizeram, que não nos esquecemos tão facilmente delas?

Elas cultivam a generosidade. Elas querem ver o mundo melhorar. Elas têm foco na contribuição. Elas sabem que contribuir dá um sentido mais profundo à própria vida.

Espero ter contribuído de alguma forma com essas reflexões. Agradeço sinceramente a sua visita aqui no blog, grande abraço, paz na mente e até o próximo texto.

Paulo R. Käfer

Diretor e Facilitador da MKaPlus, empresa especializada em ajudar instrutores e facilitadores a terem alta performance e realizarem treinamentos fantásticos. Tem mais de 11 anos de experiências em treinamentos empresariais e é Instrutor da Formação de Multiplicadores – Facilitador Coach ©, com dezenas de turmas realizadas pelo Brasil.

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3 thoughts on “Contribuição: a trilha para a realização pessoal

  1. Paulo e jaqueline
    Iluminados, acredito na Lei da Sincronicidade, este texto , possui um poder de nutrir e de realinhamento, fortalecendo o propósito da necessidade de contribuir, de despertar para a consciência da importância de convivermos em rede para garantir a nossa sustentabilidade, como seres humanos. Considerando que hoje a minha fraqueza poderá encontrar com a sua força e amanhã a sua fraqueza poderá encontrar com minha força, alimentando este pensamento, as mãos se entrelaçam na construção de um mundo melhor.

    Muita Paz e Gratidão pela contribuição, texto excelente!

    joelma

    • Olá Joelma. Excelente comentário.
      Um dos grandes desafios para nós seres humanos é ter “alta performance” na arte da convivência. Precisamos gerar harmonia com nossas ações e até mesmo com nossos próprios pensamentos, já que cada pessoa convive com ela mesma o tempo todo. Assim, um mundo melhor poderá ser edificado.
      Também acredito na sincronicidade e que nada ocorre por acaso. Fica até fácil de entender quando compreendemos profundamente a interconexão de tudo que há no Universo.
      Muita Paz e muita felicidade para você.

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