Praticando a paciência no cotidiano

Por Paulo R. Käfer*

Dedos apressados apertando várias vezes o botão do elevador tentando inutilmente acelerá-lo. O motorista do carro de trás buzina logo que o sinal fica verde, apressando o motorista da frente. No cinema alguém olha a cada instante para o relógio para verificar quanto tempo falta para terminar o filme. O cliente no restaurante reclama que a refeição está demorando muito.

Essas são cenas comuns do cotidiano, marcado pela velocidade e onde a paciência se faz pouco presente. Observo esses comportamentos e me pergunto: onde a humanidade está indo com tanta pressa? Parece que tudo é para ontem! De que adianta ir rápido para o lado errado?

Precisamos reconhecer um fato, gostando dele ou não. O planeta está lotado. Dito de outra forma: tem bastante gente no mundo, muitas vezes dividindo os mesmos espaços. Se você já deu uma caminhada em uma rua movimentada de uma grande metrópole na hora do rush, sabe do que eu estou falando. Ou quem sabe você já ficou parado por um longo período em um engarrafamento quilométrico.

Só isso já é mais do que suficiente para entendermos que a paciência é uma virtude indispensável para transitarmos bem por onde passarmos. Ela nos permite olhar para as situações com mais clareza e pensar com mais discernimento, já que nem tudo está sob nosso controle. Mas é necessário compreender profundamente o significado desta importante qualidade. Paciência não significa passividade, conformismo nem aceitar tudo com resignação ou ficar esperando as coisas “caírem do céu”. Tal virtude está mais relacionada a agir de forma pacífica, com ânimo inabalável e escolhendo a melhor atitude que a situação exige. É se mover no mundo com paz no coração e na mente.

Então, por que não cultivá-la e desenvolvê-la? Geralmente não somos treinados em nossa formação educacional e nenhum sábio aparece do nada oferecendo seus ensinamentos sobre como agir com paciência nessa cultura fast. Parece que, para aprender tal competência, temos que ser autodidatas e nos virar sozinhos. E talvez a maioria das coisas importantes a gente aprende na escola da vida.

O cultivo da paciência também nos ajuda a construir uma convivência saudável com as pessoas. Alguém que esbanja paciência é como um sopro de esperança na direção de um mundo melhor. E uma conexão verdadeiramente humana, regada à paciência é como um oásis nesses tempos de relacionamentos instantâneos onde a rapidez e a superficialidade parecem querer ocupar o lugar do amor. E por falar nele, acredito que não é possível haver amor sem compreensão. E dificilmente há compreensão sem paciência. Embora um tanto esquecida, a paciência faz falta e a falta dela pode impedir que o amor incondicional se manifeste verdadeiramente na prática.

Como praticar então? Primeiro, compreender que a paciência é importantíssima nos dias de hoje. Segundo, querer melhorar. Terceiro, tomar consciência do próprio nível atual de paciência. Assim, é interessante verificar o que nos auxilia a ter paciência e o que nos impulsiona a ficar impacientes. Para isso, observar-se em ação é ótimo.

Quarto, estabelecendo uma meta, como por exemplo: ampliar em 20% o nível de paciência. E quinto: aproveitar as situações cotidianas para adotar atitudes pacientes. Nesse sentido, é impressionante a quantidade de oportunidades que temos durante o dia para aperfeiçoar a nós mesmos. Cada experiência é um trampolim para a aprendizagem. A maestria nasce com a disposição para aprender.

Que tal escovar os dentes ou arrumar a cama com toda a paciência do mundo? Ou quem sabe, ouvir o outro com atenção plena, sem interromper sua fala?

Por exemplo: imagine que você precisa dialogar com uma pessoa que apresenta uma certa irritação momentânea. Essa pode ser uma magnífica oportunidade para praticar a paciência. Conversando com calma, podemos ajudar a pessoa e a nós mesmos. As relações são realmente poderosas, desde que estejamos interessados em aprimorar nossas atitudes, ampliar nossa consciência e contribuir para o bem-estar do outro.

E sabe… A gente vai percebendo que o desenvolvimento da paciência desperta a gentileza, a calma, a lucidez e a sabedoria que já existe em nós. Praticando a paciência no cotidiano, ficamos mais tolerantes, amorosos, tranquilos e desfrutamos a magia do momento presente, totalmente sintonizados e conectados com o ritmo da natureza, sem apressar as coisas. Como disse Santo Agostinho: “não há lugar para a sabedoria onde não há paciência”.

É exercitando diariamente nas pequenas atividades do nosso dia a dia que desenvolveremos essa bela virtude, chamada paciência. E tudo indica que se assim o fizermos, traremos paz para nós mesmos e para nossas relações.

Paz na mente, grande abraço e até o próximo texto.

Paulo R. Käfer


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19 thoughts on “Praticando a paciência no cotidiano

  1. PAZ CIÊNCIA, a ciência da paz. Muito relevante e oportuno esse texto nos dias hodiernos. Parabéns!

  2. Lendo este texto senti saudade dos anos 70 e 80 quando, ao percebermos estes males da nossa sociedade, constatando suas verdadeiras causas, perdíamos a paciência e buscávamos modificar o mundo e não somente nos adaptarmos a ele. Pena que hoje isso é visto como perda de tempo, coisa de gente revoltada. Contudo, hoje ainda existem pessoas lutando por um mundo melhor e, por incrível que possa parecer ,sendo ainda mais estigmatizadas, inclusive por aqueles que se renderam.

  3. Acredito que para que consigamos desenvolver esta virtude como o Sr diz devemos cada vez mais fazer uso do cérebro. Dizem os estudiosos que fazemos uso de menos de cinquenta por centro deste órgão primordial de nosso corpo, a partir daí conseguimos ter mais paciência e então ter êxitos, cada vez maior, e felicidades mais duradouras.

  4. Prezado Paulo
    O texto relata o quanto é importante reconhecer o impacto que a paciência pode gerar no indivíduo e na coletividade fortalecendo as relações e melhorando os ambientes. Excelente texto.
    Um abraço
    Joelma

  5. A ansiedade destrói a paciência e gera uma série de consequencias desagradáveis e negativas.
    Foi muito bom ler esse artigo para relembrar da importância da paciência.
    Essa é um dom que poucos têm, mas todos nós podemos adquirí-la, basta querer e reconhecer de como PACIÊNCIA é importante em nossas vidas.
    Eu já estava me perdendo e sendo muito estúpio por causa da falta de paciência, não quero mais perdê-la, não vale a pena, a gente perde a essência e o brilho da competência.

  6. Muito pertinente o assunto abordado, vivemos um momento em que tudo tem ser feito com muita correria, e não temos tempo nem para observar os sintomas demonstrados por nosso corpo de uma vida tão corrida.

  7. Com certeza essa virtude, paciência, melhoria muito o mundo. Só não pode ser confundida com sempre “deixar rolar pra ver como é que fica”. Nossa vida, profissional ou pessoal, exige posicionamento.

  8. No milênio do espírito, no século da sensibilidade e da amorosidade, o foco nas virtudes que podem ser desenvolvidas é a metodologia do bem viver. Assim podemos abandonar a velha postura de nos culpar e nos inferiorizar pelas imperfeições e trazer a euforia de estar ocupados com aquilo que nos gratifica e nos torna mais satisfeitos conosco mesmos e com a vida.

    Obrigado pela reflexão que nos proporcionou.

  9. Parabéns, Paulo, pelo excelente artigo! Vc foi brilhante ao abordar o tema de forma tão sutil. Como é difícil exercer a paciência nos dias de hoje tão atribulados, não é mesmo? Abraço. Tania Maria

  10. Muito bom o texto. Gostaria de multiplicá-lo, trabalho em RH e o momento é oportuno. é possível fazer a divulgação apresentando os direitos autorais e o blog?

  11. Caro Paulo
    Sou editor da SER MAIS Revista da cidade de Arujá/SP e fiquei bastante impressionado com o seu artigo pela lucidez e consciência, o que vem de encontro com a filosofia de nossa revista, além dos rasgados elogios sobre o seu curso, pronunciado por uma de suas participantes: Rita Berberian, uma de nossas articulistas colaboradoras.
    Entretanto, gostaria de ter a sua autorização para publicar os seus artigos em nossa revista que circula na cidade de Arujá e região.
    Aguardo seu pronunciamento.

  12. Texto muito bom e realmente expõe a realidade da grande maioria dos brasileiros sobre a falta de paciência diante de várias circunstâncias no dia a dia, seja no trabalho, em casa, com amigos, familiares e até mesmo com pessoas que nunca vimos pela frente. Por isso é muito importante praticar a paciência.

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